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22/08/2008 - 18h42
FÉ E POLÍTICA
Escrever é sempre um imperativo e ao escrever estamos fazendo uma opção. Talvez esta opção não seja a mais correta para um determinado leitor ou leitora. Portanto, ao escrever para o domínio público estamos sujeitos a determinadas críticas e também elogios, quem sabe? Seja como for, o importante é expor a nossa idéia e deixar sentir o clima.
Vamos, então, começar pelo título deste artigo: “Fé e Política”. O leitor (a) menos avisado (a) poderia perguntar o que a fé tem a ver com a política? Eu diria, tudo. Explico. A fé e a política destinam-se a mesma finalidade de concretizar o projeto de Deus na história dos seres humanos. Porém, não são a mesma coisa, são completamente diferentes. Compreendendo que a vivência da fé é necessariamente política. A fé é um dom que vem de Deus via a Igreja (Católica, Evangélica, Espírita – da comunidade dos que crêem). Já a política é uma ferramenta que exige aprendizado.
Daí que uma política contrária aos direitos do povo faz da fé expressão de uma religião como sendo o “ópio do povo”, diz Karl Marx. Por outro lado, abram bem os olhos, a política tem toda autonomia e não depende da fé. Quantos ateus participam da política? Aliás, o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso se dizia ateu. Mas a nossa discussão não é essa.
Fé e política são coisas diferentes que se complementam na prática da vida. Percebam que a fé é especificamente “abordada” na Igreja, onde é celebrada, anunciada e refletida através da palavra de Deus. Já a política é diretamente “abordada” nos movimentos populares, sindicatos e nos partidos políticos que assumem os direitos dos oprimidos ou não, mas deveria ser.
Contudo, não devemos comprar “gato por lebre”, ou seja, não devemos jamais confundir a esfera da explicação religiosa da fé, a Igreja, com as esferas da política. Porém, embora diferentes, são complementares. No Evangelho, Boa Nova, Boa Notícia contém ensinamentos e valores que criticam e norteiam a atividade política.
Para finalizar. A política com “P” maiúsculo é tanto mais popular quanto mais a gente se encontra ligada à luta do povo. A fé é tanto mais evangélica quanto mais a gente se liga a Deus da Vida através da comunidade cristã

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04/06/2008 - 19h04
PT X PSDB: a política das gerais.
Estou passando uma temporada em Belo Horizonte por motivos de estudos. Mas nem por isso estarei imunizado pelo que ocorre em torno da política mineira com os olhos para a política nacional em 20l0. Portanto, tenho acompanhado através dos jornais o desfecho político envolvendo a aliança entre o PT de Minas e o PSB para uma possível disputa da prefeitura de Belo Horizonte em outubro de 2008.
O fato é que Fernando Pimentel (PT), atual prefeito de Belo Horizonte, vem se apresentando como o principal articulador de uma aliança com o PSB que ocupa o Executivo na capital mineira há 16 anos e que tem sido destaque nacional. Porém, isso acontece pelo apoio do governador Aécio Neves e do PSDB à aliança dos dois partidos de esquerda que vem governando a cidade e que pretende governar o Estado.
As articulações e acordos pelo alto da política mineira continuam se desenvolvendo flacidamente, lembrando o renomado refrão do velho revolucionário Karl Marx: “tudo que é sólido desmancha no ar”. A cúpula nacional petista está incerta quanto ao acordo do prefeito petista de BH com Aécio Neves, temendo que ele possa atropelar uma candidatura própria em 2010. Essa incerteza está em todos os passos: do vice-presidente José Alencar e dos ministros mineiros de Lula – Luiz Dulci e Patrus Ananias - que não param de ruminar contra o conluio para eleger o candidato de Aécio e Pimentel; de Lula que não quer meter a mão “nessa cumbuca”; do próprio Aécio acusado de preferir o PT e preterir o PMDB e deste último, brigando para não ficar de fora do banquete e sempre à caça de benesses.
O andamento deste processo é revelador nos modos, costumes, estilos e atitudes de como a política mineira - mesmo tão estruturalmente elitista como sempre foi - está hoje cada vez mais distante da qualidade que já teve no passado. Na crônica dos acontecimentos alguns flashes são inacreditáveis. No primeiro deles, o desengonçado e atritoso Ciro Gomes, uma espécie de Sarkozy de Sobral e Quixadá, condestável do Ceará, marca presença em Minas Gerais, abrindo uma cunha no processo político mineiro, com a indicação de um ex-assessor, mascarado de socialista como ele, como candidato à prefeitura de BH!
Num outro, um deputado federal do PT, todo desalinhado, como sempre, esbraveja, desgravatado, com as mangas arregaçadas da camisa desabotoada e o colarinho revirado, num tom atávico de autêntico coronel pré-anos 30!… A figura, sem o esmero juizdeforano do ex-presidente, é uma espécie de Itamar do PT mineiro, sobrevivendo sempre na garupa dos processos políticos. Agora é apresentado como um dos patronos da candidatura do para-quedista Márcio Lacerda, que ninguém conhece, mas tem padrinhos poderosos. Mas tudo pode acontecer em Minas, pois é o Estado que tem “juiz de fora”, “sete lagoas”, “ouro preto”, “pará de minas”, “três corações”. Este quadro decadente da Minas atual se encaixa como uma luva na estrofe clássica das “Confissões do Itabirano” de Carlos Drummond de Andrade:
“Já tive ouro, tive gado, tive fazendas. Hoje sou funcionário público. Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói!”
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15/05/2008 - 10h40
Reserva de vagas para negros em universidades
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, recebeu no dia 13 de maio, do corrente ano, os militantes da causa negra. Eles pediram apoio ao Supremo para que seja mantido o sistema de cotas raciais em universidades, atualmente presente em 54 instituições de ensino do país (beneficiando 138 mil alunos).
A cota é um projeto de transformar o Brasil em um espaço de solidariedade, de justiça e de inclusão, afirma o Frei franciscano Davi Santos, diretor da Educação e Cidadania de Afro-descendentes e Carentes (Educafro). Já o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, disse que o Brasil vai manter a adoção de cotas para negros em universidades e empregos públicos, na tentativa de corrigir o legado da escravidão. A abolição foi incompleta e os negros continuam na parte baixa da pirâmide social.
As cotas vêm consertar um Brasil onde 97% do povo nunca teve oportunidade de entrar numa universidade. Além disso, um grupo de estudantes organizados protocolou no SFT um documento consistente, com pouco mais de 700 assinaturas, em favor das cotas e da manutenção do ProUni – programa do governo federal que reserva vagas para estudantes da rede pública e minorias em instituições privadas.
Os estudos apontam que as estatísticas de acesso à educação, maior bandeira defendida pela militância negra, melhoraram. Em 1976, primeiro ano da Pesquisa Nacional (Pnad), o número de negros com até 30 anos que tinham concluído o ensino superior não passava de 0,7%, enquanto o de brancos atingia 5% - seis vezes maior. Em 2006, a taxa de negros nos bancos com educação universitária passou para 4,9%. A de brancos subiu para 18% - pouco menos de quatro vezes.
Esses e outros fatos comprovam que não dá para desconhecer a exclusão de jovens negros da educação superior. Sabe-se que apenas cerca de 20% dos estudantes universitários são negros, enquanto pretos e pardos constituem cerca de 50% da população brasileira. Grande parte dos negros no Brasil não completam sequer o ensino fundamental. Isso implica que a população negra é sub-representada mesmo no ensino médio público de qualidade.
No Brasil, há uma hierarquia social com base na cor: salários mais baixos, ocupações profissionais de menor prestígio são reservados a pretos e pardos. Raça, aqui tomada na sua acepção social como equivalente a cor, é fator de desigualdade. Nesse sentido, favorecer o ingresso de candidatos negros nas universidades públicas é interferir diretamente num dos mecanismos geradores de desigualdade. A diferença racial é também percebida quando são considerados bens simbólicos, como a estima, o respeito, a valorização, o reconhecimento, cuja negação significa indiferença, humilhação, discriminação e preconceito.
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