01/09/2007 - 11h14 O diabo nem sempre veste prada. Em certo país existia um pregador que, de tão fervoroso em suas homilias, arrastava milhares de seguidores e convertia a muitos que escutavam as suas palavras. Ao ouvir o que dizia o santo homem, muitos deixavam suas vidas de transgressões e se transformavam em pessoas honestas e fieis seguidoras do evangelho, porém, como já se sabe que ninguém agrada a todos, logo a fama do tal homem chega às profundezas do inferno onde vive o chefe das danações e lá causa grande descontentamento.
Ao saber que estava perdendo muitos dos “seus” na terra, Mefistófeles convocou seus demônios numa reunião e decretou que as pregações deveriam ter um fim. Como? Perguntou um dos anjos maus. Simples! Disse Satanás. Lembre-se que ele ainda é um homem e como tal tem suas fraquezas, logo, basta encontrar qual é a dele e atacar neste ponto. Como sabemos todo homem gosta de mulher, enviemos uma pra ele e veremos se ele não cai em tentação. Dito e feito. Um dos demônios transfigurou-se numa bela jovem e foi encontrar com o santo homem. Lá chegando ao sentir o familiar cheiro de enxofre o religioso disse: vai de retro satanás! E como fumaça o demônio sumiu.
Ao contar o fracasso o inferno estremeceu com o brado de Azazel: maldição! Não desistiremos – disse ele – vamos tentar outra coisa, a experiência nos diz que todo homem gosta de dinheiro, vamos oferecer um montante tão grande que logo ele virá ser um dos nossos, e de novo um demônio se disfarça, só que dessa vez ele se vestiu de empresário e, com uma mala cheia de dinheiro, foi tentar sua vítima. Ao sentir novamente o cheiro de enxofre o religioso disse mais uma vez: vai de retro satanás! Terremoto no inferno. Satanás aos berros disse: bando de incompetentes! Vou eu mesmo ter com esse homem e vamos ver se ele é tão poderoso assim.
Para disfarçar o cheiro de enxofre ele tomou banho de um forte perfume e foi conversar com o religioso. Ao chegar lá o homem viu os cascos no lugar dos pés do diabo e quando estava enchendo os pulmões para disparar o seu “vai de retro satanás” o diabo disse: calma amigo! Não precisa nada disso. Eu vim em paz. Eu quero apenas lhe dizer que eu me rendo, que você venceu. Sua sabedoria e força estão muito acima das minhas. Por isso eu vim apertar a sua mão. Ao ver a mão do diabo estendida o homem titubeou, mas, apertou sua mão. Satanás perguntou: amigos? E o homem respondeu: sim...
Embora pareça uma mensagem religiosa ressalva-se que não é esta a intenção aqui, todavia, não se pode deixar passar desapercebida a lição incrustada nessa história. As “tentações” que não raras vezes encontram-se no caminho nem sempre vêm seguidas de um cheiro de enxofre ou outro qualquer, nem mesmo são feitas por seres do mal que tem como razão de existir a eterna perseguição ao ser humano. As perseguições das mais diversas advêm, na maioria das vezes, daqueles que estão no mesmo plano material ou espiritual que o nosso.
Ao apertar a mão do inimigo e declarar amizade a ele o quase sábio homem fez exatamente o que seu predador queria: abaixou a guarda. E também escancarou sua fraqueza: a vaidade. Com isso fez com que seu adversário pudesse ganhar a sua confiança.
Nos mais variados ambientes há pessoas sempre dispostas para o embate direto pelos mais variados motivos. Seja uma promoção no trabalho ou uma vaga no estacionamento, paquerar aquela secretária bonita ou sentar-se ao lado do chefe no almoço. As disputas estão presentes no cotidiano desde sempre e, para que haja nesta luta vencedores e vencidos, o estudo do adversário é sempre necessário para que seus pontos fracos sejam atingidos na hora certa. Por mais maquiavélico que pareça a realidade é que os “demônios” sempre estarão presentes nas disputas que se empreende seja lá em que lugar ou por qual motivo for.
Por: Maxuell Santana
Bacharel em Ciências Contábeis
Pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior
Colunista do Jornal de Jequié
Colunista do site: www.jequie.info
E-mail: maxjequie@hotmail.com
02/04/2007 - 19h22 Violência - Se a resposta vem do alto estamos perdidos Em algum momento dos últimos meses ao assistir, ler ou ouvir ao noticiário você sentiu como se estivesse vendo um filme de terror? A mais ou menos um mês atrás o Brasil indignava-se com o assassinato brutal do garoto João Hélio de apenas seis anos que foi arrastado por quilômetros do lado de fora do carro da família que acabara de ser roubado. Tomou conta também do noticiário à história da garota carioca que fora alvejada pelas costas enquanto passava na rua, tal incidente deixara uma seqüela grave: a menina dificilmente voltará a andar. Ainda mais recentemente uma menina de um ano e sete meses foi encontrada agonizando numa piscina batismal de uma igreja Adventista, a criança chegou sem vida ao hospital e lá foi constatado que ela havia sido estuprada e asfixiada. Estes são apenas alguns casos dentre tantos que caíram na rotina ao ponto de não serem nem mais manchetes.
Após muita pressão por parte da mídia os doutos de Brasília movimentaram-se no sentido de oferecer mecanismos que freassem a criminalidade e restabelecesse a paz à sociedade. Dentre as alternativas encontram-se pontos pra lá de discordantes pela sua complexidade como é o caso da redução da idade penal de 18 para 16 anos.
Muitas autoridades no ramo jurídico dizem que o código penal brasileiro é um dos mais atuais e austeros do mundo. Sem lisonjeio, porém cabe a pergunta: Se somos tão avançados assim no trato com a criminalidade, porque vivemos nesta guerra civil não declarada a anos com milhares de baixas civis inocentes? Simples! O avanço penal das leis brasileiras encontra-se apenas no papel. É sabido que o sistema penitenciário no Brasil é ineficiente até mesmo para fazer com que o preso cumpra a sua pena sem que fuja antes. É sabido também que as penitenciárias brasileiras são depósitos humanos superlotados que fogem do principio básico de sua finalidade que é o de ressocializar o infrator e devolvê-lo a sociedade.
O povo colhe hoje o que foi semeado por décadas pelos governos incompetentes que administraram esta nação. Os crimes que assistimos hoje pela televisão extrapolam os conceitos de furto e assalto. O que se vê é barbárie. Pessoas sendo queimadas vivas dentro de ônibus, alvejadas por balas perdidas dentro de suas próprias casas. A violência desce dos chamados bolsões de miséria e arma a sua tenda no pátio da classe média.
Outro dia, em entrevista, ao ser questionado sobre a criminalidade que assola o país, o ex.mo Sr. Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que: “muitas vezes a violência é questão de sobrevivência”. É essa a filosofia do operário-presidente. A de não entrar em conflito nunca. Como sociedade é inconcebível dar algum crédito as palavras do presidente. Em síntese ele quis dizer que estamos entregues a nossa própria sorte. Numa selva sem leis e sem limites. Onde tudo é permitido em nome da sobrevivência, até mesmo roubar e matar.
Em outro momento Lula dispara mais uma das suas tão famosas frases de impacto: “Quem não acredita no Brasil, vá embora!” Bem que gostaríamos de acreditar presidente... Mas, sinceramente, não dá.
Por: Maxuell Santana
Bacharel em Ciências Contábeis
Pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior
Colunista do Jornal de Jequié
Colunista do Site: www.jequie.info
E-mail: maxjequie@hotmail.com
15/02/2007 - 19h31 Carnaval: ilusão e atraso Eis o que diz o dicionário sobre o carnaval: [Palavra oriunda do italiano carnevale.] 1. No mundo cristão medieval, período de festas profanas que se iniciava, geralmente, no dia de Reis (Epifania) e se estendia até a quarta-feira de cinzas, dia em que começavam os jejuns quaresmais. Consistia em festejos populares e em manifestações sincréticas oriundas de ritos e costumes pagãos como as festas dionisíacas, as saturnais, as lupercais, e se caracterizava pela alegria desabrida,(encolerizada) pela eliminação da repressão e da censura, pela liberdade de atitudes críticas e eróticas.] 2. Os três dias imediatamente anteriores à quarta-feira de cinzas, dedicados a diferentes sortes de diversões, folias e folguedos populares, com disfarces e máscaras; tríduo de momo. 3. Bras. Pop. Confusão, trapalhada, desordem.
Desde a origem, o carnaval é uma festa de desregramentos, excessos e irresponsabilidades. E nada mudou até os nossos dias. Por mais que se defenda que o povo precisa de alguns dias de circo para compensar o estresse do resto do ano, esse tipo de divertimento não tem causado o prazer que deveria. Não satisfeitos com os três dias de carnaval, temos hoje as prévias que se realizam fora de época: o Carnatal, o Recifolia, a Micaroa e por ai vai. Tudo do mesmo jeito, padronizado pelos trios elétricos de patente baiana, só servem para infernizar e tumultuar a vida das pessoas.
Na maioria das cidades do nordeste, o carnaval nunca dura menos do que uma semana. E mesmo depois que termina, quarta-feira de manhã, a maioria só vai trabalhar na segunda-feira seguinte. E dizem que é a região pobre do país. Imaginem se não fosse. Qual é o resultado dessa ilusória diversão e desse efêmero prazer? Todos conhecem. Assaltos nas ruas e arrombamento de casas; pessoas bebendo e usando droga desbragadamente e com isso matando-se por discussões ou em acidentes, dada à imperícia dos motoristas alcoolizados; jovens imaturos praticando sexo irresponsável, contraindo doenças ou gravidez indesejável; os pobres que vivem a reclamar dos salários, para nivelar-se aos que têm mais, comprando abadás, fantasias de blocos que custam 100, 150, 200 reais. Um pedaço de pano pintado com o distintivo da escola servindo como blusa e uma mini-saia ou short para completar a indumentária, por preço igual ou maior que uma cesta básica.
Logo depois, a maioria das pessoas se arrepende do dinheiro que gastou, das seqüelas que a festa deixou, das dívidas que contraiu para divertir-se nos caros bailes dos aparatosos salões. A irracionalidade toma conta das pessoas nos dias de carnaval. A histeria coletiva é manipulada pela mídia que faz a cabeça dos desavisados. Mas o arrependimento vai se diluindo durante o ano e no carnaval seguinte, fazem tudo igual, mais uma vez. Fico imaginando se aquela quantidade de mulheres das escolas de samba resolvessem costurar para os pobres ao invés de confeccionar fantasias e se os artesãos se dispusessem a fabricar berços e brinquedos para crianças, as habilidades seriam bem melhor aproveitadas. O rodar e rodar, como índios enlouquecidos ao som dos atabaques, demonstra ignorância ainda maior do que a dos peles-vermelhas. E tudo gera uma competição entre as tribos, fazendo com que elas se peguem a tapa porque qualquer uma que vença sempre terá sido favorecida. A perdedora sempre se julga melhor do que aquela que ganhou.
Houve tempos em que a igreja romana era contra o carnaval, embora conivente, porque anistiava o pecado com a distribuição das cinzas. Mais ou menos o que faz com a confissão. Pode pecar à vontade desde que depois faça a penitência rezando pais nossos e aves marias. Mas agora mudou. Há sacerdotes cantores carnavalescos com a aquiescência dos superiores. Veja-se os padres pula pulas. E outros estão aderindo. Este ano, em João Pessoa, saiu um bloco católico em nome de Jesus e de Maria. Ano passado, um segmento evangélico levou para a avenida o seu Jesus é bom à Bessa (com dois "s" porque a igreja é do bairro do Bessa). Um enorme trio-elétrico, um dos mais barulhentos da festa, com os fiéis uniformizados. E cada um, portando uma garrafa de Bacardi limão, saudava Jesus.
Ainda há quem pergunte, ingenuamente, se o Apocalipse vai chegar. Ele já chegou há décadas. E o carnaval é uma das bestas que ajudam a pôr mais lenha na fogueira que está incendiando o mundo. Há quem alegue ser o carnaval, ao lado do futebol, uma válvula de escape para disfarçar as frustrações do pobre. O Brasil explodiria se não houvesse o carnaval para extravasar a mágoa do povo. Triste engano. O grande remédio para todos os males chama-se alegria. Infelizmente no carnaval o que existe é alienação mental e as pessoas não medem as conseqüências de seus atos. Isto é o que faz mal. Droga e sexo são fundamentais.
Recentemente fizemos uma trova para um concurso com o tema carnaval. Dissemos: Se brincar no carnaval/saiba dosar sua alegria/pra não rasgar a moral/no embalo da fantasia. Porque é o que mais acontece. Qual a finalidade de se apresentar mulheres com seios à mostra e um minúsculo tapa-sexo? O mundo gira em volta da sensualidade exagerada. A mulher vem sendo manipulada por uma mídia obscena que, como competente comerciante, sabe o preço de cada uma. E pela glória de aparecer nua numa revista não medem o que estão fazendo.
O sábio apóstolo Paulo de Tarso já dizia:- Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém. Não se trata de puritanismo piegas, mas de racionalidade. O carnaval só dá lucro para quem organiza, promove, vende produtos, para quem tem os trios-elétricos e para os políticos que levam o seu quinhão generoso. Quando esses não tiverem bons lucros, o carnaval se acaba. Até lá, porém, o inferno continuará fervilhando e salve-se quem puder.